3.10.06

Me deixa nascer...

Na minha última vida tive a felicidade de ter pais e irmãs maravilhosos... Nasci no sertão da Bahia. Éramos 07 irmãos, dois homens e as demais mulheres Meu pai era fazendeiro e político influente daquela cidade e adorava dançar (ao contrário de minha mãe recatada e tímida) era excelente “pé-de-valsa” e nos ensinou a bailar como ele. Cresci em meio a festas e muitos amigos! Éramos convidados para muitas outras festas, pois diziam:..._Festas sem as filhas do Seu Salviano não tem graça! Omito demais nomes, pois não quero polemizar! As nossas festas eram as mais famosas... Duravam três dias e três noites!!! Meu pai punha um boi inteiro para assar... Eu era considerada a mais bonita, requisitada nas danças e disputada por muitos moços... Era a única de longos e lisos cabelos ruivos, as outras eram morenas... Descendente de ciganos, índios e espanhóis(sabe-se lá a quem puxei).Apaixonei-me por um rapaz do lugarejo e meu pai consentiu no namoro e casamento. Meu irmão José faleceu antes de casar-me! Ao voltar da escola cismou em nadar no lago afogando-se, pois o lago era muito profundo!... Mas a doença da minha outra irmã foi após o meu casamento... Veio a falência... os amigos se afastaram...Perdemos tudo para curarmos nossa irmã! Ficamos pobres, sem emprego, sem fazenda... Meu irmão mais velho foi pra São Paulo arranjar emprego .. Neste período já tinha dois filhos: uma menina, ruiva como eu e um menino: moreno como o pai. Minha irmã caçula tinha quase a idade( 08 anos) da minha filha(06 anos) e brincavam sempre juntas... Meu irmão logo se arranjou em São Paulo e breve arranjaria emprego para toda a família. Neste ínterim, meu marido se engraçou com uma roceira do lugarejo, passando a se afastar cada vez mais da família! Fui ficando triste... definhando a cada dia.... Fiquei de cama, pois meu coração tão sensível não se conformava com a traição! Um dia meus pais e irmãs estavam em casa velando por mim e cuidando de meus filhos... Meu marido chegou bêbado e alegre, abraçado a tal roceira com mais alguns amigos dizendo que iria dar uma festa! Não era a primeira vez que ele trazia a sua amante pra casa para continuar com suas farras, desrespeitando a mim e aos meus filhos! Sofria calada, não queria que meu pai soubesse, pois ele tinha muitos problemas até então! Meu pai teve uma conversa séria com ele expulsando-o e pedindo que ao menos respeitasse os filhos! Não me lembro de muita coisa mais... apenas que perdi a vontade de viver! Morri de tristeza e na minha morte ainda vejo perto de minha cama os dois amantes abraçados e meus filhos chorando! Foi o último quadro que me ficou na memória! Lembro-me de uma cama e um lugar escuro... Tentava perceber aonde estava! Não conseguia identificar, até ouvir o choro do meu caçula a chamar por mim! Reconheci minha casa e tentei levantar-me para acudir o choro do moleque, mas não conseguia! Meu corpo parecia chumbado àquela cama... O pior era que à noite o meu marido e sua amante se deitavam junto comigo, na mesma cama... Por mais que eu gritasse, ninguém me ouvia! Foram dias horríveis... Presenciei o sofrimento dos meus filhos e o deleite dos amantes! Um dia meu pai passou em casa e levou-os com ele... Meu marido nem se importou, tanto ele como a nova mulher sentiram-se até aliviados... Eu chorava e gritava pelo meu pai!!! Foi aí que percebi ouvindo conversar sobre o destino dos meninos que eu já havia morrido! A família toda estava de partida para São Paulo... Meu irmão arranjara casa e emprego para todos e até internação pra minha irmã doente! Com eles iriam meus filhos que seriam criados pelos avós! Fiquei triste e contente!? Triste por saber-me morta e sentia-me culpada pelo destino dos meus filhos...Contente porque meu pai iria cuidar deles! Dias depois soube ouvindo a conversa do casal que eles já haviam partido e comecei a chorar! Revia meus filhos nascendo, mamando em meus peitos... crescendo alegres...brincando com minha irmã caçula! Porquê me entregara assim? Até eu, com o meu egoísmo, pensando somente na minha dor, esqueci-me dos pequenos! Ouvia sussurros em meus ouvidos... “Suicida”... Eu? Mas foram eles que me mataram! Meu coração se encheu de um ódio tão grande que me fez até levantar da cama! Consegui... Mas não saia do quartinho simples de casal! À noite, quando eles vinham se deitar, eu os atacava: batia em seus rostos em seus corpos com muita fúria!!! A nova esposa sentiu, pois vivia com dores pelo corpo e na cabeça! Eu ria muito alto quando ele a procurava e ela negava dizendo estar sem vontade alquebrada e com dor de cabeça... Ela começou a me ver e ficar agoniada toda vez que entrava no quarto! Meu marido decidiu então se mudar para longe, para outro Estado, junto à família da amante! E eu... fiquei naquela casa, sem poder sair daquele quartinho...passei do ódio, á mágoa e da mágoa á dor! Agora estava mais só do que nunca! Que fiz de minha vida? Vivi para morrer, morrer de dor! Dor de amor, traição, orgulho! Meus meninos, meus meninos!!! Mãe Santíssima! Olhe por meus meninos... Lembrei-me das noites de procissão que íamos quando pequenos desfiando o rosário e orando “Salve Rainha”... Pensei nas crianças e orei fervorosamente...Mãe de misericórdia, vida e doçura esperança nossa salve meus filhos..Eu, suspirando e gemendo neste vale de lágrimas criadas por mim, peço a ti! A ti que deste vida a Jesus, a ti mãe de todos nós... Ó clemente, ó piedosa, livre-me do pecado e sobretudo proteja meus meninos, meus pais de todos os perigos do mundo! Sinto-me indigna de perdão... Mas peço, assim mesmo perdão pelos meus pecados ...Nada quero para mim,mas proteja meus filhos...Uma luz se fez naquele quartinho escuro....Penso que vi a própria virgem Maria na minha frente , com os braços abertos aos quais me entreguei chorando...E juntas subimos para outras esferas, outras moradas! Quando me recuperei, me apliquei aos estudos, na esperança de velar em espírito pelos meus filhos! Mas, na primeira viagem que fiz para revê-los, chorei tanto por sentir que mesmo aos cuidados de meu Pai, eles sentiam a minha falta! Não tinham alegria no olhar! Tive uma recaída e voltei para o hospital... Quando recebi alta soube que minha mãe havia morrido, minha filha casado e meu filho estava morando com minha irmã caçula (já casada) junto com meu pai! Meu coração, tão sensível, minhas emoções sempre à flor da pele... Recaía de novo, chorando a minha desdita, me sentindo a única responsável por tudo! Queria tanto ajudar... Mas, mediante da minha fragilidade a qual nunca soube dominar nada conseguia... Diante disto o plano espiritual que me acolhera decidira que o melhor para mim seria renascer! Renascer na mesma família... Para ter a benção do esquecimento e ficar junto de meus filhos! Fiquei tão feliz! Mas me alertaram... Sua vida será curta! Terá que aprender a dominar as emoções e não se deixar levar por elas! Valorizará o corpo que na última existência, não soube cuidar... Aproximei-me de minha irmã caçula a abracei, abracei meu Pai e meu filho (minha mãe falecera recentemente, mas não pude encontrá-la ainda)... Envolvi o marido de minha irmã num abraço afetuoso:”Meu futuro pai”! Chorava e agradecia por ele não desamparar meu filho... Despedi dos amigos que fiz e parti para junto da minha irmã para renascer! Mas... como eu não dera valor ao corpo e ainda muito sensibilizada, a emoção sempre maior que a razão , não conseguia permanecer por mais de dois meses em seu ventre! Por duas vezes tentei e por duas vezes meu corpinho frágil, ainda em formação sucumbia e não resistia... Minha irmã acabou por absorver as minhas mazelas e ficou doente( 09 anos sem engravidar), com hemorragia...Até...Converter-se ao espiritismo, onde além de curar-se , trouxe alívio a mim e deu a luz a três crianças... Eu ainda em tratamento devia esperar... Recobrei minha aparência anterior e fiz um novo pedido para visitar minha família! Vi que minha filha casou-se, separou-se e enlouquecera! Enganada pelo marido que lhe tomou as crianças ficou aos cuidados de meu filho (já casado) e de minha irmã caçula. A cada sofrimento dos meus, também sofria... Maria, enquanto não souber lidar com suas emoções, não poderá ajudar os seus...Tente renascer em outra família para o bem do esquecimento! Mas eu não queria... Um dia vi meu filho triste a lembrar de mim e do Pai...Ouvi ele dizendo à esposa e depois à minha irmã (que ele considera como mãe) que iria procurar o Pai! Minha irmã revoltou-se( porque eu também me revoltara)... Mas a esposa dele deu a maior força... Então minha irmã, amparada pelo plano maior também o apoiou e eu chorei...Chorei de emoção quando pai e filho se reencontraram...Vi nos olhos de minha rival a surpresa e o arrependimento! Eles tiveram mais quatro filhas e eram bastante pobres. Achei nobre a atitude de meu filho em ajudá-los. Novamente o plano espiritual me acolhera, pois voltei a ficar sem energia!Também existe entre os desencarnados o livre arbítrio e eu cismei em nascer no seio familiar de minha irmã caçula! Por isto hoje eu choro! Perdi oportunidades de reencarnar devido a esta obsessão! A filha de minha irmã foi escolhida por mim para ser minha mãe... Seguiria depois do segundo filho do casal (eles tinham que nascer antes e o mais rápido possível, já estava programado há muito tempo). Minha vida seria breve, pois como não completara a existência anterior, viveria até os dez anos e viria a falecer de problemas cardíacos (meu coração ainda continuava fragilizado e a qualquer emoção ele doía e eu me punha a chorar!). Mas; quando foi a minha vez, ocorreu o inesperado: a separação do casal! Então perdi a oportunidade e chorei... Chorei muito! Tentei unir o casal... Mas o livre arbítrio... Enfim! Há mais de dez anos ainda choro o tempo perdido! Padeço e sofro quando minha mãe sofre... Ela é sensível e chorona porque estou sempre com ela (não fosse o meu apego seria uma mulher forte, sensível, mas menos sentimental) Me sinto culpada “MEA CULPA”. A cada amor que surgia em sua vida eu lhe aparecia em sonhos assustando-a com a minha pressa ignorante em nascer dela! Mas, diante de tantas desilusões amorosas, optou por ficar sozinha! Tentei com seu irmão; Porém a esposa não quer filhos!!! Agora estou tentando aceitar a situação e aprendendo a ser menos emotiva e dar maior valor à minha vida! Morri como dizem por aí, de amor!!! Sofrido e não correspondido! Machuquei meu coração que precisa ser recomposto em outra encarnação! Mas a única verdade é que meu orgulho foi quem me matou! Minha falta de humildade, meu ego por me ver trocada e humilhada... Não era amor... Era mágoa e orgulho! Trago para vocês a minha história para que pensem em suas vidas e não sofram por humilhações, sejam elas grandes ou pequenas! Ou por qualquer outra pessoa ao ponto de se deixar dominar e clamar pela morte! Não pensei em mim, em meus pais e nem em meus filhos... Pensei, talvez, quem sabe? No remorso que causaria aos dois... ainda não aprendi a dominar o orgulho e o sentimentalismo, mas estou tentando! Quero Nascer!!! E não me deixam... Não me deixam? Sei bem que não é isto, pois não cai uma folha da árvore sem a permissão divina! Tudo tem seu tempo e sua hora... Agora devo esperar o momento certo (paciência) para estar de volta! Cuidem do coração... Amem mais, doem-se mais, para que as ofensas não os levem à tumba! O sofrimento é inevitável, mas aí daquele que sofre por si mesmo! Deixo beijos pra todos e agradeço a oportunidade de lhes falar!

Quem fala é Mariosa, a franzina Maria de Brotas de Macaúba, àquela que não soube aproveitar o corpo saudável que Deus concedeu! Mas sempre há tempo e esperança... Agora erro por amor( amo demais a minha sobrinha: ex futura mãezinha, sei que faço chorar! Mas, a cada dia estamos superando( eu menos sentimental e ela ainda mais sensível). È preciso para sua missão que esta sensibilidade aflore! Nada é por acaso meus amiguinhos e tudo passa! ( Inspirado por Jeanne Dantas através do espírito de Mariosa- 29/09/2006 ).

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