7.8.06

Coluna Semanal

CANTITO DA CIGANNINHA

OS FILHOS DO DIVÓRCIO:

OS *ABORTADOS* DA SOCIEDADE FAMILIAR-07/08/2006

*...Malograr, frustrar, cancelar a execução de um programa ou comando antes de sua execução/conclusão final (dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira).

CRIANÇAS: “Vede, não desprezeis alguns destes pequeninos...” – Jesus. (Mateus, 18:10.)


A VIDA SEM PAI


Nos anos 60, acreditava-se que o divórcio levava às crianças à delinqüência, evasão escolar e problemas sociais. Na década de 70 achavam que as mães criavam melhor os seus filhos por estarem livres dos conflitos pessoais. Ultimamente chegou-se a conclusão que filhos que vivem somente com a Mãe (longe do pai) param os estudos ou graduam-se com dificuldade, iniciam a atividade sexual mais cedo; e, quando mulheres, tornam-se com freqüência mães solteiras. Quando o pai sai de casa por opção os filhos se sentem mais rejeitados do que quando ele morre. Muitos pais garantem o conforto material dos filhinhos, mas desprezam a alma, não assegurando o abrigo moral necessário para a vida toda. Outros deixam de alimentar suas boquinhas famintas ou agasalhar seus corpinhos frios relegando-os à sociedade e levando-os fatalmente à marginalidade e abandono. Na rua, a vadiagem fabrica delinqüentes explorados por terceiros através das drogas, tráficos de crianças e trabalho infantil. O fim destes pequeninos marginalizados é sempre o mesmo: acabam ou morrendo, ou presos ou até mesmo no hospício. Lembremos sempre da alimentação espiritual dos meninos, através de nossas atitudes e exemplos, avisos e correções quando necessário, pois somos responsáveis por aqueles que cativamos (O pequeno príncipe).

O divórcio muitas vezes é inevitável; porém o vínculo com os filhos é eterno! É um direito da criança, dever e obrigação dos pais a educação infantil. Claro que divorciados torna-se uma tarefa mais árdua; portanto deve ser mil vezes mais valorizada. Não faltem com seus filhos, amparem sempre lhes dando conforto moral e material, além de atitudes e exemplos.

SOFRIMENTOS EVITÁVEIS

Já nos acostumamos com dizeres de "lugar comum": a sociedade está perdida! Os valores éticos não existem... Políticos são corruptos, etc. São exageros que não nos levam a nada... Os pessimistas, ou revoltados só esperam da vida o prazer, e suas sensações provenientes; enfim são seres humanos atrasados que preferem ficar neste estado mental a lutar por uma condição melhor. Os grandes desafios sociais são certamente os relacionamentos entre os indivíduos. No trabalho há sempre uma pessoa irascível, agressivo, ou temperamental; os quais assumem posturas hostis irritando-se por pouco e infernizando a vida de muitos. Há os mal humorados que se tornam detestados e conseqüentemente sem amigos. Há os que ainda humilham os colegas de trabalho (chefes ou subalternos, tanto faz). No lar existe sempre uma pessoa de convivência difícil, que quer impor sua própria vontade defrontando todos com quem convive. No relacionamento conjugal, não se amando, perdem o respeito mútuo, à auto-estima e a alegria em meio a brigas e desentendimentos por falta de diálogo e de ouvinte... A educação dos filhos nestes casos também se torna deficiente (já dissemos; os pais são exemplos para seus filhos). É claro que a vida não é nenhum paraíso, mas vale lembrar que a vida é o que fazemos dela. O paraíso depende de nossas atitudes e mudanças interiores. Exteriorizando o cumprimento do dever, cobrando a igualdade de condições para todos sem distinção de classe cor ou religião. As mudanças começam no nosso interior, na base do lar e no trabalho. No lar devemos tentar manter a paz, o diálogo aberto com todos para vencermos os obstáculos que certamente surgirão ao longo da vida, amando e respeitando uns aos outros e saber pedir desculpas. No trabalho a regra é a mesma: respeitar os valores éticos e morais, cumprir com o dever e da mesma forma manter a paz, o diálogo e saber se impor quando necessário. Se errar é muito importante também o ato de desculpar-se porque é no trabalho que encontramos com nossa segunda família (onde passamos maior parte do nosso tempo).

O AMOR FILIAL X AMOR PATERNAL E MATERNAL (André Elias, 10 anos – meu filho nº. 2).


Ter é a melhor forma de não se possuir!” (Por Amor ao Ideal – Inácio Ferreira – Carlos A. Baccelli).


...O interesse se conflita com o desinteresse: o desejo se contrapõe a renúncia... Ter é a melhor forma de não possuir. Quanto mais se entrega, mais o homem se pertence... Com estas palavras podemos definir o amor dos pais pelos filhos... Podemos até considerar como sendo o amor verdadeiro; porém imbuído de posse (são nossos). Quando o casal se separa costuma-se dizer: são meus... Ou são seus se vire para criá-los... A essência das coisas só pode ser alcançada por aqueles que procuram o essencial! Neste caso o essencial são os filhos, torno a frisar e tornarei a repetir sempre! Não sejamos egoístas a ponto de renegá-los a segundo plano em nossas vidas. Temos a obrigação de fortalecer estas sementinhas nascidas de nós: lutando contra a influência dos vícios, das drogas, etc. (“a criança é como um diamante bruto que necessita ser burilado”). As crianças não herdam características psicológicas: inteligência, bondade, maldade, dotes artísticos, doçura agressividade, etc. Elas apenas herdam características biológicas: cabelos, cor de pele, tipo sanguíneo, etc. Até gêmeos univitelinos (gerados a partir do mesmo ovo) possuem diferenças fundamentais. E estes mesmos pequeninos nos são confiados para serem burilados por nós. Pertencem-nos por algum tempo, depois são do mundo... Mas a responsabilidade do caráter é nossa, nós somos seus professores da vida. ( Tamires, minha filha nº. 01, com 11 anos de idade).


OS ABORTADOS VIVOS



O aborto é assassinato premeditado que jamais passará despercebido às leis divinas, que tudo regem. Os filhos do divórcio muitas vezes são abortados depois de gerados e amados pelos pais (seja pouco ou muito tempo de convivência entre o casal). Se ocorrer o divórcio interrompe-se a trajetória da formação moral, pois os filhos recebem o impacto físico e emocional da violência e da rejeição. É mais ou menos como se tivéssemos batendo a porta no rosto daquele que veio em busca de nossa ajuda! Se o Pai ou a Mãe constitui uma nova família e gera filhos aí a confusão se estabelece... Quem são meus irmãos? Quem são meus pais? Quem sou eu para eles? Muitos se esquecem dos filhos do primeiro casamento, deixando-os totalmente aos cuidados dos avós! Fico imaginando... “Fui criada com muito amor pelos meus pais”... Claro que brigavam como todo casal; mas jamais me lembro de discutirem em nossa frente! Normalmente à noite, quando pensavam que estávamos todos dormindo eu ouvia suas discussões... Mas; no dia seguinte era como se nada houvesse ocorrido, pois os dois se tratavam com muito respeito e não nos desamparavam jamais! Meu pai perdeu a visão quando eu tinha 07 anos e minha mãe teve que trabalhar fora... Inverteram-se os papéis... Meu pai, embora cego, cuidava da gente (fazendo e nos dando comida, arrumando a casa, nos ensinando nas lições, etc. ). Minha mãe teve que assumir o papel do “homem” trabalhando fora e trazendo o sustento do seu suor para nós! Meu Pai, já falecido é o meu herói... Conversávamos horas e horas... ele contando seus “causos”, histórias reais de sua infância, de sua juventude e do seu trabalho... Era tão gostoso de ouvir... Um dia, eu estava triste porque queria minha mãe pelo menos sábado e domingo em casa! Mamãe é analfabeta, trabalhava num asilo de velhinhos e os seus dias de folga ( um único dia) eram sempre durante a semana! Meu Pai sentiu a minha tristeza( os cegos tem o dom da intuição) e pediu-me para que lhe cantasse uma canção que ele me dava uma moedinha.... Cantei uma, duas... e na terceira canção cantamos juntos uma música de seu tempo(... Cabocla seu olhar ta me dizendo que você ta me querendo... que você gosta de mim). A minha tristeza, como por magia ou encanto, se foi! E eu nem lembrei da moedinha prometida! Quando meu pai ficava doente e não podia cuidar da gente, ela nos levava ao trabalho dela (na minha época não existiam creches)..., embora não fosse permitido levando sempre bronca por isso; mas ela precisava trabalhar e com quem iria nos deixar? Fui criada também com os velhinhos abandonados do asilo... Presenciei minha mãe trabalhando de lavadeira, dando banho nos velhinhos, vestindo-os, dando-lhes almoço ou janta, etc. Em muitas destas tarefas eu a auxiliava, como por exemplo: dar-lhes água ou comida na boca daqueles que não podiam se levantar da cama., Era gostoso conversar com aqueles velhinhos! Hoje, contra a minha vontade, estou divorciada e olho para meus filhos com certa tristeza, pois embora tenham todo o carinho do mundo( que eu e minha mãe tentamos lhes dar), existe a defasagem da presença e educação, tanto moral quanto espiritual, do Pai. Eles fazem análise (psicóloga), é inevitável pular esta etapa e faz um bem enorme! Mas, ainda falta “algo” em seus pequeninos corações...! Um dia a psicóloga me disse que minha filha havia pedido um Pai... Eu disse brincando que era mais fácil ela ganhar um avô (minha mãe é muito cotada... muitos velhinhos querem casar com ela! Mas ela não quer), pois os relacionamentos de hoje deixam muito a desejar (não há respeito ao sexo, à mulher e muitos outros não toleram os filhos dos “outros”)! Fui chamada na escola por uma travessura do meu caçulinha que se tornou agressivo desde que meu irmão (que ele considerava como um Pai casou-se)... Expliquei que era uma fase, pois a psicóloga me disse que ele havia perdido o referencial paterno que tinha em meu lar, ou seja, o seu Tio( meu irmão)... O Pai deles os visita de quinze em quinze dias, mas não é de participar muito da vida deles, a não ser nos dias de visita! Que A Mãe santíssima não desampare estes filhos do divórcio, dando força e coragem para que nós que detemos a guarda destes pequenos possamos educá-los e criá-los com dignidade e que nunca falte O PÃO NOSSO DE CADA DIA!!!

(André Elias: 10 anos, Tamires11anos – filhos da Ciganinha).


CONCLUSÃO:

Este mês comemora-se o dia dos pais... Termino esta matéria homenageando, em especial meu Pai Herói que, mesmo vivendo agora em outra dimensão, sempre se faz presente no meu coração! Exemplo de homem digno e nobre! Suportou com coragem a cegueira que lhe chegou aos 48 anos, aposentou-se por invalidez, cuidou dos filhos com amor e carinho e NUNCA reclamou da sua condição de inválido... Jamais o vi reclamar ou blasfemar por estar cego... Lembro de tê-lo visto chorar três vezes em sua vida: 1ª Quando a sua irmã mais velha veio de Pernambuco para vê-lo( tinha 72 anos na época), 2ª) Quando meus filhos nasceram e ele contornou os rostinhos deles com as mãos tentando imaginar como seriam e 3ª) Quando da minha separação: nos acolheu com carinho( eu e meus filhos) e chorou emocionado dizendo que me ajudaria a criá-los! Acredito que vela ainda por nós, pois na minha filosofia religiosa ninguém morre, mas parte para a vida eterna ( e eu o sinto sempre presente! Quando o vejo em sonhos ele está mais jovem e enxergando!). Aproveito para homenagear outros Pais, heróis, valentes, trabalhadores e éticos! Que Deus os abençoe, muita paz, saúde e que nunca falte o pão de cada dia para o sustento dos seus! Deixo de presente para todos vocês uma música que gosto muito, cantada pela Elis Regina ( autor Belchior).

Não quero lhe falar meu grande amor das coisas que aprendi nos discos

Quero lhe contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo

Viver é melhor que sonhar, eu sei que o amor é uma coisa boa!

Mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa

Por isso cuidado meu bem, há perigo na esquina...

Eles venceram e o sinal está fechado pra nós que somos jovens

Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua

É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz!

Você me pergunta pela minha paixão?

Digo que estou encantada com uma nova invenção!

Eu vou ficar nesta cidade, não vou voltar pro sertão;

Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação

Já faz tempo eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida;

Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais!

Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos

Ainda somos os mesmos e vivemos...

Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais

Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não

Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém

Você pode até dizer que “Eu to por fora, ou então que eu to inventando”.

Mas é você quer ama o passado e que não vê

É você que ama o passado e que não vê

Que o novo sempre vem

Hoje eu sei que quem me deu a idéia de uma nova consciência e juventude

Ta em casa guardado por Deus contando vil metal

Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo que fizemos.

Nós ainda somos os mesmos e vivemos...

Ainda somos os mesmos e vivemos...

Ainda somos, os mesmos e vivemos como nossos pais!

Um bacio da Ciganinha

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