25.8.06

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE UM DROGADO

O Acordar de Marcelinho

Acordei num lugar escuro e diferente de tudo que eu conhecia... Ouvia gritos, mas não sabia de onde partiam: “SUÍCIDA! SUÍCIDA! SUÍCIDA! E riam uma risada sinistra e amedrontadora! Onde estou? Sentei-me numa pedra, perto de um riacho fétido e pus-me a pensar... A última coisa que me lembro era de estar na rua da escola onde estudava com mais alguns bichos, todos da mesma idade entre 14 e 17 anos, fazendo chacrinha. Era de noite, horário que normalmente nos encontrávamos esperando o Chuck trazer cocaína pra nossa curtição... Estava de olho numa fofa e prometi dar de presente uma rasteirinha pra ela. O Chuck era o descolado da turma, tinha 15 anos, mas conhecia todos os que vendiam as drogas, era bem maneiro! Ia pra gente nos becos e bares e comprava o pó pra nós... Ele estava numa boa! A gente curtia em frente à escola! Ouvi de novo gargalhadas sinistros e novos gritos de SUÍCIDA! Minha cabeça doía... olhava pro meus braços e via as marcas de muitas picadas (além de cheirar eu também me picava com outras drogas)... minha cabeça girava... vomitei muito... Foi aí que percebi 03 aberrações à minha volta... rindo e gritando: “SUICIDA”!” Agora você nos pertence... E os três, que eram metade homem, metade morcego, começaram a me vampirizar... Pensei que iria morrer... desmaiei... Acordei... achava que tudo não havia passado de um sonho! Mas estava no mesmo lugar... escuro e fétido... Novamente vomitei e as 03 aberrações vieram e me sugaram... E assim se passaram dias... meses... perdi a noção do tempo... Sentia falta das drogas e comecei a pirar igualzinho quando tinha vontade de cheirar... Foi aí que veio ao meu encontro um jovem todo vestido de negro e com uma chibata na mão... Vinha acompanhado daqueles três vampiros... Olhou para mim e começou a gargalhar... Está sentindo falta das drogas né? Pois vou te levar até elas... Os vampiros acharam ruins, mas o jovem estalou o chicote neles e berrou: - Suas bestas!!! Agora ele de nada serve pra vocês! Vocês já sugaram toda a energia vital, toda a droga que ainda podia existir! Agora ele será “Meu ESCRAVO!” Os vampiros se foram e o jovem de negro gritou para mim: - “Vamos”“! Eu não estava entendendo nada; parecia um filme de horror, não me mexi e levei uma chicotada que me fez cair e rolar de dor!” - Eu falei vamos!!! De agora em diante você me pertence...Não quer a droga? Eu balancei a cabeça afirmativamente... - Pois terá...trabalhando pra mim sempre terá a droga...Sem alternativa segui aquele jovem e enquanto andávamos, ele assobiava e chicoteava o ar...Apareceram mais dez jovens (07 homens e 03 mulheres) os quais passaram a nos acompanhar....Eram horríveis....Uns pareciam alheios, hipnotizados! Outros cadavéricos e sujos, uns se apoiando nos outros...Havia uma mulher( creio que mais velha que nós) com as faces enrugadas, o corpo magro, toda descabelada...chorava o tempo todo! Uma outra companheira pedia que se calasse e olhava o jovem de negro com muito medo! Ele chegou perto da mulher descabelada e desferiu quatro chibatas e três tapas em seu rosto... - Não entendo e nem quero ouvir o seu choro!? Você além de traficar e se viciar, viciou seus dois filhos pequenos que vendiam drogas pra você...Agora terá o que merece...Isto porque sou bonzinho vou deixar você participar da nossa festinha..Ha.! Há! Há! Gargalhava com gosto sentindo-se feliz vendo a infelicidade da tal mulher...

FESTA DROGAS, SEXO E ROCK:

Fomos acompanhando o rapaz de negro descendo cada vez mais, parecia que estávamos bem abaixo da terra! À medida que descíamos o rapaz se transfigurava...Seu rosto se tornou cadavérico, a língua sibilante como de uma cobra, suas mãos transformaram-se em garras...E seu sexo cresceu adquirindo um formato enorme que ia até o chão!Eu, tonto e com medo, me apoiava noutro companheiro... Enfim chegamos a tal festinha... Qual não foi o meu susto quando percebi que a tal festa era de jovens, num salão mal iluminado, onde rolava de tudo: sexo e drogas...As bandas de Rock incentivando com suas músicas frenéticas, aos gritos e berros de “ vamos nos drogar, agora a gente pode tudo”!!!

Vi, no meio daqueles jovens, uma pessoa que me chamou a atenção: tinha os mesmos traços que os meus; porém mais alourado e bem mais magro!!! Junto com ele grudaram três dos nossos companheiros...Dançando sensualmente e “cheirando do que ele cheirava”...Um outro que não era do nosso grupo, bem mais velho que nós, gritava em seu ouvido:” Vamos ...bebe....bebe bastante...eu preciso muito...O adolescente sorveu de uma só vez a bebida que trazia na mão: era pinga pura numa garrafa de refrigerante! Levei uma chibatada do monstro de negro que me ordenava que eu me juntasse à àquele jovem...Fui!!! Cheirei junto com ele e com os outros... Dali a pouco um amigo chamou: Dudu tá na hora de pegar umas cocotas que tão dando mole de boa lá perto da escada...Levei um choque, reconheci naquele adolescente o meu irmãozinho que tinha 05 anos...O malvado do homem de negro percebeu e ria bem alto...Me afastei do grupo e a ficha caiu: Eu morri?! Lembrei-me do repeteco, da última cheirada, acompanhada de uma picada... A cabeça a girar, a respiração difícil...Depois me vi deitado num hospital coberto das cabeças aos pés: minha mãe a chorar desesperada, Dudú questionando ao meu pai, com sua vozinha infantil...”Celinho ta dumindo papai?” E meu pai a afagar a sua mãozinha limpando as lágrimas com as mãos... Morri!!! Estou morto? Mas me sinto vivo! Um vivo-morto...Entendi tudo!! Mesmo triste, chocado e deprê, tive que seguir as ordens do chefe: bebi, cheirei e até transei colado ao meu irmão! Por instantes, de bode, esqueci de quem era e onde estava... Mas, de volta pro inferno fui tomando consciência de tudo! Deixaram-me num lugar pior que o de antes... cheio de jovens transfigurados, (bichos grilos) e sujos como eu, dormindo muito, depois da tal festa! Uma mulher nua com os cabelos desgrenhados e as faces cadavéricas se insinuava junto ao homem de negro e fizeram de tudo ali mesmo...ele urrava de prazer...ela gritava de dor, pois ele a feria de propósito...Quando se saciou jogou-a no chão e ela se transformou numa gosma verde e fétida!O chefe se foi, com a recomendação de que breve voltaria e “cobraria pela tal festinha”, pois éramos seus escravos...O que ele nos pedia era que tentássemos seduzir jovens desorientados e rebeldes a se drogarem...Esta era a nossa tarefa, facilitando encontros com traficantes, desviando a atenção de pais incautos para que nada percebessem!!! Passei mais alguns anos assim... Até que numa das minhas descidas na crosta terrestre, encontrei o Dudú...Vomitando numa esquina, caído e semi-desmaiado...Junto dele mais três desencarnados “barra pesada” a sugarem suas já minadas energias...Afastei-os todos e ajoelhado junto ao meu irmão, gritei por socorro...ninguém me socorrera...Lembrei de minha mãe e das orações que ela havia me ensinado” Senhor Jesus, salve o Dudú...Não deixe que aconteça a ele o mesmo que aconteceu comigo! E orei!!! Orei com tanto fervor que uma luz se fez a minha frente, quase que me cegando...Eram os espíritos auxiliadores que vieram atender o meu apelo! Muito comovido e emocionado agradeci àqueles irmãos da luz!Não me contive e cai num pranto convulsivo! Eles com um sorriso me convidaram: venha conosco também Marcelinho! E meu irmão? Nossos irmãos socorristas tratarão dele...o mais importante foi você ter conseguido encontrar o seu novo caminho! E me entreguei numa boa àquela falange amiga indo com eles finalmente para , o que parecia para mim, o paraíso!

O RENASCER MARCELINHO

Assim que me recuperei, estudei e me restabeleci espiritualmente... freqüentei cursos e decidi me engajar nas caravanas socorristas que cuidavam dos drogados...Gente! Como é horrível viver de drogas, de vícios de quaisquer espécies... Como sofrem aqueles que incentivam o tráfico e principalmente utilizam-se da música e da arte, que é um dom divino, para corromper...Vi coisas horríveis...Vi cantores e autores destes estilos musicais sofrerem por comprometerem a vida de tantos jovens e suas famílias...A cada música celebrada na terra, àqueles que foram astros, que tinham (e ainda tem até hoje) fãs , choram de dor e arrependimento; pois suas músicas corrompem até hoje, mesmo depois de suas “ mortes”...Assim também é com autores de livros perniciosos e astros de TV e cinema... Meu irmão sobreviveu mais alguns anos...não conseguiu se livrar de muitos outros vícios, causando desgosto ao meu Pai que não agüentou e veio a falecer de tristeza...Mamãe já tinha ido quando da minha morte...Sentia-se culpada, achava-se responsável por não ter percebido e me salvado! Hoje já nos vimos e ela como eu compreende que inerente à nossa vontade existem falanges que nos levam a praticar estes atos...Claro que 50% por cento de culpa é nossa por permitir o assédio, entrar na mesma sintonia, não estar constantemente em vigilância como Jesus nos ensinou( “ orai e vigiai para não cairdes em tentação”) . Por isto digo o que nos salva é o AMOR: amor aos nossos pais, ao próximo, a nós mesmos e orar sempre ( pedi e obtereis) . Todo mundo tem noção do certo e errado... se percebermos um pensamento estranho e diferente dos nossos princípios pedimos a Deus com sinceridade que afaste estas idéias..Músicas e ídolos juvenis, da mesma forma, sabemos se devemos seguir ou não, tudo está dentro do nosso coração. Eu Marcelinho, desencarnado aos 17 anos por drogas, espero, com minha breve história, alertar muitos que estão nesta. Pensem... Isto já era! Não deixem que lhe façam a cabeça! Curtir é viver numa boa, sacou?É preferível estar por fora, ser taxado de careta a entrar pelo cano... Mas; se já estão nesta, saiam rapidinho, como se diz por aí é dar no pé...Tanto do lado de cá como do lado de lá vão te dar a maior força!!! Podes crer! ( Marcelinho – desencarnado nos anos 70). obs: os grifos coloridos se referem à gírias utilizadas nos anos 70 e 80


Um Bacio in suo grazioso cuore, Ciganninha



*DESTAQUES:

Aniversariantes do Mês de Agosto:

(Cinira, Raí, André Elias e Ester)

Muita paz, muito amor, muita luz, muita saúde e prosperidade!


QUER CONHECER UM LUGAR SUPER GOSTOSO EM SAMPA?

Chama-se Rancho do Serjão( Edson Ávila) É um ponto de encontro de violeiros, cantadores, cozinheiros, poetas, artistas e de pessoas que como você, apreciam e mantêm viva a cultura de nosso povo. Uma cultura que o Sergio Reis procura preservar com as músicas sempre ligadas aos sentimentos do homem do sertão . Às terças feiras música sertaneja ou country com cantores nacional( conhecidos ou não) muito gostoso!!! Você vai dançar a valer!!! Av. Pedroso de Morais 1008-Vl. Madalena CEP: 05420-001 – São Paulo – SP – Fone/Fax(L11) 3815.0789 – e-mail: info@ranchodoserjao.com.br



0 Comentários:

Postar um comentário

<< Home