A MULHER, OS FILHOS E A SOCIEDADE DIANTE DO DIVÓRCIO
(Ciganninha-foto tirada em 05/2006)
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1) Patrícia Galvão Bueno, “PAGU”, a musa do modernismo (Pagú com Oswald de Andrade e o filho Rudá com 01 ano de idade);
2) Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon, “PRINCIESA ISABEL” – Conhecida como a redentora por ter abolido a escravidão;
3) Chiquinha Gonzaga: pioneira maestrina brasileira, compositora de chorinhos, participava de reuniões políticas e foi a primeira que musicou no teatro;
4) Leila Diniz: quebrou todos os tabus de uma época em que imperava a repressão no Brasil;
5) Jeanne D. Vieira: mulher, divorciada, lutadora, tentando resgatar e modificar tanto o nosso País quanto os valores/conceitos da família, do amor à pátria e do sexo com responsabilidade e respeito (conhecida como Ciganninha – foto tirada em 1996 com seus filhos Tamires de 01 ano e 08 meses e André Elias com quatro meses).
CANTITO DA CIGANNINHA “Assim também vós, cada um em particular, ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie seu marido.” – Paulo. (EFÉSIOS, 5:33.) “Querida Ciganninha... Namorei dois anos, casei e engravidei! Quando minha filhinha completou seis meses nos separamos... Na verdade fiquei casada somente um ano! Nos acertos do divórcio, combinamos várias coisas “de boca”, não quis formalizar, sei lá, achei que ele nunca desampararia sua filha! Enganei-me completamente... Faz um ano que nos separamos e ele nunca pagou a pensão e nunca visitou a filha. Já acionei a justiça para legalizar as visitas e enunciar que ele não paga pensão; porém ele alega que só pode pagar um salário mínimo, pois se declara autônomo e ganha pouco! O safado já está casado, tem um escritório de advocacia e contabilidade e aparece uma vez por mês para ver a menina com um carro zero...” *J.L.M. S – 27 anos – São Paulo – SP.
Era uma vez... Uma garotinha e seus sonhos! Chamava-se Mariazinha... Ao brincar de bonecas , casinha e panelinhas, o seu reino do “Castelo Dourado” , sonhava em ser esposa e dona de casa! Via a mãe, o pai, os irmãos e pensava: “Quando eu crescer quero me casar, ser mãe e cuidar dos meus filhinhos assim como a minha mãezinha”! Em meio às bonecas e contos de fadas foi crescendo e tornou-se uma linda mulher! Era uma vez... um garotinho chamado Pedrinho! Gostava de brincar de peão, bolinhas de gude, empinar pipa e jogar bola com o Pai! Também o auxiliava nas tarefas consideradas de homem: trocar lâmpada, pintar casa, consertar chuveiro etc. à noite olhava os pais e seus irmãos e pensava: “Quando eu crescer vou ser igual a meu pai: casar, ter filhos, trabalhar e consertar o que estiver precisando na casa e quando chegar do trabalho a minha mulher vai fazer uma comida gostosa pra mim“! Eles se tornaram adultos, cada um com seus sonhos... E, como num conto de fadas, um dia, os dois jovens se cruzaram e se apaixonaram... (o príncipe e a princesa). Casaram-se e foram morar no Castelo Dourado de seus sonhos de criança! Tiveram dois filhos: uma menina e um menino, tudo o que as pessoas sempre quiseram! Mas, de repente o CASTELO desmoronou, o sonho acabou! O príncipe virou sapo e a princesa uma bruxa! E, num dia chuvoso e frio, eles se separaram! Dizem que uma bruxa malvada lançou um feitiço, pois não agüentou a felicidade deles...E eles foram infelizes para sempre... Para sempre? Não, para sempre é tempo demais...Ninguém merece!!! Digamos “DESESTRUTURADOS” para sempre! Um espelho quando se parte, mesmo que se colem os cacos, jamais refletirá da mesma forma... Os remendos estarão sempre espelhando a sua imagem... E foi isto que aconteceu com o casal!
QUERIDO!?ESQUECEMOS DAS CRIANÇAS!
“E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na” doutrina “do senhor.” – Paulo. (EFÉSIOS, 6:4.)
A maternidade... A paternidade... o primeiro filho tão esperado...Corta-se o cordão umbilical...A mãe se emociona e o Pai não consegue conter as lágrimas diante de tanta ventura! Nasceu a menininha tão sonhada! O bebê pensa: “Será que este homem vai ser um bom Pai para mim? Cadê minha mãe? Ela será boazinha comigo?” Mal sabia aquele pequenino pedaço de gente que os pais já haviam até profetizado o seu destino: Será médica, ou advogada! A mãe aprovava com a cabeça enquanto terminava o enxoval... Foi muito amada por ambos... E veio de presente mais um irmãozinho para a menininha (ela o chamava de limãozinho)... Mesmas expectativas...O pai torcendo por um menino, a mãe dizia: tanto faz, contanto que venha com saúde! E o menino nasceu... E o Pai chorou novamente ao ver o parto e a mãe ria e chorava de alegria diante daquele ser pequenino a lhe sugar os peitos, faminto! Os dois filhos, embora tivessem ciúmes um do outro, eram muito amados pelos pais... Até que; não se sabe por que, o pai saíra de casa para nunca mais voltar!...A mãe triste a chorar pelos cantos... As crianças indagavam do pai e da tristeza da mãe... Esta respondia somente “Ele se foi”! Os filhos se decepcionaram, pois nada entenderam, mas tinham pena da mãe e saudades do pai! Afinal quem são nossos filhos? O que representam em nossas vidas? O que representamos na vida eles? Os comentários vêm de comadres e parentes: A menina é geniosa como a mãe... O menino levado como o pai! Diante desta situação inusitada tiveram que renascer de novo, e amadurecerem precocemente (a vida ensina)! A responsabilidade da educação ficou totalmente com a mãe... O Pai tornou-se um mero visitante de quinze em quinze dias... A pensão? Até pagava... mas só! Nunca mais se preocupou em dar condições satisfatórias em termos médicos, escolares, educacionais e sociais (sou apenas o Pai de quinze em quinze dias e pago a pensão, a guarda está com a mãe e ela que se vire!) Esqueceu-se rapidamente dos planos profetizados ainda no ventre da mãe: ”Minha filha será médica... Meu filho Juiz...!“ Psicologicamente sentiam-se rejeitados... Sem o Pai, sem a Mãe que; para suprir o lar, labutava durante o dia fora de casa, à noite tinha trabalhos domésticos e ainda ensinar lições pras crianças. Não tinha mais tempo de brincar com os filhos, os quais tiveram ainda a sorte de ter os avós para cuidarem deles enquanto a mãe trazia o sustento, o pão de cada dia para o lar! Nem preciso dizer que o Castelo Dourado ruiu e o padrão financeiro caiu. Na separação, o juiz foi bem claro: 1/3 do salário do pai, pois o restante seria pra ele prosseguir sua jornada social (constituir família divertir-se)... O mais espantoso era que antes, os salários de ambos eram tudo para o lar e os filhos... O Pai casou-se, formou nova família, “a nova esposa” sentia ciúmes dos filhós e chegou a agredir a menina( que teve síndrome de pânico). O Pai preferiu acreditar na nova esposa e desacreditar da filha, piorando a situação! As crianças sentiram-se mais abandonadas ainda e precisaram de ajuda psicológica e muito amor dos avós e da mãe, mas; é como o tal espelho quebrado: “nunca mais refletirá a mesma coisa.”. O caso não é um exemplo típico de rejeição materna ou paterna! São apenas “os filhos do divórcio” com seus traumas até justificáveis diante da situação! O pai, ao reconstituir nova família, se fazendo apenas “presente” nos dias das visitas (e olhe lá, pois aos poucos vai gradativamente trocando estes dias tão esperados pelos filhos por uma festa, um passeio ou algo mais interessante diante de sua vida nova!) Se a nova família ( paterna ou materna) tem filhos então? A questão se torna mais profunda! A mãe, por sua vez, abdica de seus direitos de educar e de ser mulher ; passando-os para a avó que se torna a maior responsável pela formação das crianças! Isto se não for a creche ou até mesmo as ruas a educar. Torna-se uma irmã querida ao invés de mãe porque mãe é aquela que cria e a divorciada tem que trabalhar e ser, ao mesmo tempo, a mãe e o pai da casa! Isto na hipótese desta última não se casar, pois se casando ou as coisas melhoram ou pioram de vez! Só digo uma coisa: Pais e Mães são um só e insubstituíveis... Portanto; antes de se pensar numa separação por qualquer bobagem, pensem nas crianças... Se não for por agressão, vícios e maus tratos, penso que não vale à pena a separação, por qualquer rusguinha à toa! É muito ruim para os pequeninos...
A DISCRIMINAÇÃO DA MULHER DIVORCIADA PERANTE A SOCIEDADE
Mariazinha, como toda mãe amorosa e possessiva, vivia para os filhos... Escondeu o quanto pôde dos amigos a sua separação, mas era Inevitável! Sofreu vários constrangimentos: “cantadas de amigos casados, que até então tinham certo respeito por ela”... Amigas cortando os laços de amizade por ciúmes de seus maridos... Maridos de amigas cantando descaradamente... Amigos do trabalho querendo se aproveitar do momento de fragilidade! Afinal, a sociedade machista insiste em confundir tristeza com carência afetiva sexual! É como na música de Martinho da Vila: “...Já tive mulheres...casadas, solteiras,“divorciadas” e carentes...” O pior é que a mulher se encontra numa fase tão difícil de readaptação que muitas vezes caem nas seduções dos vampiros de sua solidão e depressão... A mulher se envolve, se excita pelo que ouve (sentimento-coração), enquanto o homem se interessa e se excita pelo que vê!
NO TRABALHO OU EMPREGO
“Porque toda casa é edificada por alguém, mas o que edificou todas as coisas”.
é “deus”. – Paulo. (HEBREUS, 3:4.)
“Antes sede uns para os outros benignos”. Paulo (EFÉSIOS 4:32)
Aí começam os problemas: a mãe falta ao trabalho, pois os filhos necessitam serem levados ao médico e às vezes exigem o seu afastamento para cuidados mais extremados! Ou tem que sair mais cedo ou chegar tarde (reuniões escolares), controlar os filhos por telefone, etc. E os chefes não toleram, acabam se cansando e; no primeiro corte...lá vai a coitada pra rua! O motivo? A empresa vai mal, nada pessoal, apenas não podemos manter o quadro de funcionários por falta de dinheiro... Sabe como é o País atravessa problemas Etc.etc.etc. São as úlceras morais nas quais algumas pessoas acabam se utilizando destes expedientes vis, salvo nobres exceções Graças a Deus! Mas o capitalismo impera absoluto, privilegiando apenas alguns, exaltando a força econômica que elege a política arbitrária responsável pela miséria de muitos... Há carência de amor no coração e abundância de indiferença a respeito do próximo. Matrimônios “que foram constituídos com o cimento do amor, repentinamente ruem:” O amor acabou... Ou incompatibilidade de gênios. Famílias estruturadas com respeito ao dever são infestadas pela alucinação das drogas que envolvem os jovens... Pais buscando volúpias ou paixões breves... Mães depressivas, inseguras e propensas a se tornarem futuras alcoólatras. Precisamos rever as leis criminais, as leis que regem o divórcio para que as crianças nunca fiquem desamparadas de amor e nem financeiramente! Os pais se separam: se divorciam, mas não se divorciam dos filhos!
CONCLUSÃO:
Nós mulheres brasileiras, guerreiras da luta cotidiana, rompendo com a dominação social, política e trabalhista precisamos rever tudo isto tentando mudar nosso papel na família e na sociedade... Ainda persistem as discriminações e desigualdades! Continuamos sendo vítimas da violência de vários gêneros: racial, econômicas, físicas, assédio sexual, assédio moral etc. A imagem da mulher divulgada pela mídia, em livros e nas relações sociais, desvaloriza e dificulta a nossa imagem como ser humano, vulgarizando-nos. Queremos igualdade e oportunidades iguais no mercado de trabalho que espelhe a mulher cidadã, sensível, mãe, sensual e trabalhadora! E a única forma de mudarmos mentes e corações é lutando, falando, exigindo a quem de direito, denunciando, cobrando da sociedade uma legislação mais condizente com a nossa realidade! E assim, transformar nosso País numa sociedade feliz, administrada com sabedoria. Creio que através desta matéria respondi ao e-mail de *J.L.M.S, 22 anos separada...E nunca faça acertos de boca, pois a palavra dada na época de meu pai( 1900 e lá vai bolinha) tinha valor, agora é tudo preto no branco: mensalidade escolar, roupas, dentista, visitas, remédios, faculdade e tudo o que você possa imaginar em dividir, incluindo reuniões escolares e idas aos médicos. Você por ora se anulou como mulher, mas isto passa( tudo na vida passa , isto também passará - Chico Xavier) digo porque também sofri os mesmos dramas de uma mulher divorciada! Mas lhe digo o vinculo com os filhos é para sempre, independente da separação; portanto vocês terão que se aturar em prol da menina!
Ciganninha
Jeanne D. Vieira, pedagoga, 40 anos, Neta de cigana (provém daí o apelido de Ciganninha) Funcionária Pública Estadual, natural de São Paulo. * CRÍTICAS, COMENTÁRIOS, DÚVIDAS PERGUNTAS: E-mail: jd-vieira@hotmail.com






1 Comentários:
Gostei muito do seu texto e das fotos, parabéns por sua forma alegre de escrever e otimista.
Bem vinda ao Caderno R, ele nasce com a perspectiva de abrigar pessoas de talento bem como você, Jeanne.
Um abraço,
Cris Passinato
(sua editora regional Rio)
Por
Blogs dos Colunistas Caderno R, Ã s 2:08 AM
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